sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Perigo causado por usuários de drogas revolta habitantes do programa Vila Viva

 ANA PAULA BRAGA, FELIPE DAMIÃO, LARISSA SOUZA, LAURA MILAN, MATHEUS MACIEL

Não são todos os moradores que estão satisfeitos com a vida nos conjuntos habitacionais viabilizados pelo Vila Viva. Incomodada com a falta de privacidade e a presença constante de usuários de drogas na porta do condomínio, a aposentada M.C.S., não vê a hora de se mudar do novo apartamento de dois quartos em que mora.

Segundo ela, por não ter aceito a indenização em dinheiro oferecida pela Prefeitura, a única opção que restou foi morar no conjunto habitacional construído pelo projeto Vila Viva. "Moro em qualquer lugar, menos aqui. Não tenho sossego nem para dormir. Estou tomando até mais remédios do que antes. Meus netos, que são pequenos, nem podem me visitar porque ficam muito expostos ao tráfico", afirma revoltada.

O clima entre os moradores de alguns blocos está comprometido. Com apartamentos invadidos há mais de três meses, os moradores se sentem intimidados e recebem
constantes ameaças. "Alguns usuários de droga chegaram a arrancar a tampa do hidrômetro para cheirar pó. Além da maconha, que vem gente fumar todas as noites", diz M.C.S. sobre o que enfrenta no dia-a-dia. "Tem gente que vem aqui para matar e que já saiu daqui direto para a cadeia", acrescenta.

Segundo o Capitão Roberto Fonseca de Oliveira, da oitava companhia, do 34° Batalhão de Belo Horizonte, o policiamento da região é feito 24h por dia através do GEPAR (Grupo
Especializado em Áreas de Risco). "Sempre fazemos batidas (policiais) na Vila. Agimos através de abordagens de infratores, imprimindo mandados de busca e apreensão e fazendo visitas sistemáticas a infratores que estão com saída temporária do sistema prisional", afirmou.

No dia 10, uma operação policial de grandes proporções fez apreensões de drogas e armas em alguns apartamentos, além de prender sete pessoas suspeitas por participação no tráfico, dos quais seis foram soltas no dia seguinte. Desde então, a presença ostensiva da Polícia Militar no local foi intensificada.

De acordo com a Urbel, por meio de sua Assessoria de Comunicação, o trabalho de seus
funcionários continuará a ser feito normalmente. Após a descoberta de que famílias foram expulsas de seus apartamentos, a Prefeitura de Belo Horizonte decidiu fazer um recadastramento dos habitantes.

A aposentada M.C.S, diz que pretende vender o imóvel que ganhou o mais rápido possível. Ela conta que o apartamento em que mora vale, hoje, cerca de R$ 60 mil. "Não aceito indenização ou vender por um valor menor", ressalta. Ela diz também que mais de 11 moradores do prédio se recusam a pagar taxa de condomínio e que não quer arcar com o prejuízo alheio. "Assumir conta dos outros? Se o povo não quer pagar isso, vão querer cuidar do resto?", indaga a moradora indignada.

Pedro Ferreira/ Estado de Minas
Matéria Publicada em Dez/2010 no Jornal Marco, da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas. Confira a Edição Completa.

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